“E esta é a benção com que Moisés, o homem de Deus abençoou os filhos de Israel antes da sua morte. Ele disse: O Eterno veio de Sinai, e de Seir lhes alvoreceu, apareceu desde o monte Parán e com ele havia uma parte das dezenas de milhares de anjos da santidade; escrita com Sua mão direita, deu-lhes Lei do meio do fogo. Também amou aos povos (tribos); todas as almas dos santos estão em Teu poder, é eterno; porque eles estiveram ao pé do monte Sinai e tomaram sobre eles o jugo dos Teus preceitos. A Lei (Torá) que nos ordenou Moisés, herança é para a congregação de Jacob.” (Deuteronômio 33. 1-4)
Após o cântico de “Adeus” da Parashá anterior, Moisés, antes de se separar do seu povo querido, abençoou-o, como o fez o patriarca Jacob, fundador das tribos de Israel (Genesis 49.29). Convocou então toda a congregação e abençoou a cada tribo em separado, destacando o papel que haveriam de desempenhar ao longo dos tempos.
…com sua mão direita, deu-lhes a Lei – A Torá foi entregue por Deus a Seu povo sem intermediários. A expressão “Sua mão direita” reflete a proximidade ímpar de Deus com o povo de Israel e indica também a força e a segurança que Israel e indica também a força e a segurança que Israel juntamente com a Torá revelada por Deus.
E assim foram sucessivamente abençoados Rubem, Judá, Levi, Benjamin, José (Menashe e Efráim), Zebulon e Issachar, Gad, Dan, Naftali, Asher, os filhos de Jacó.
E com esta bênção encerra-se o estudo da Torah. Nesta data, 10.10.09 quando também se celebra A Alegria da Torah ( Sim’chat Torah) e com propriedade Guarani de Oliveira, em seus “Estudos da Torah”, reflexiona, no texto de Eclesiastes 1: 2-4 “Vaidade das vaidades, diz o pregador, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. 3. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outro geração vem; mas a terra para sempre permanece”.
Imaginemos que estivéssemos na situação de Moisés relatada na Porção V’zo’t HaB’rachah. Toda nossa vida foi fundamentada num sonho: entrar na Terra Prometida, uma terra que emana leite e mel.
Deuteronômio 34: 4 “E disse-lhe o Senhor: Esta é a terra que jurei a Abraão, Isaque, e Jacó, dizendo: a tua descendência a darei; eu te faço vê-la com os teus olhos, porém lá não passarás”.
Subimos ao monte Nebo, ao cume de Pisga, na fronteira de Moabe em frente de Jericó (Deuteronômio 34.1), para observarmos cuidadosamente para além do Jordão; lá está ela, a sonhada Terra Prometida a Abraão, Isaque e Jacó. Porém, iremos morrer sem poder colocar os nossos pés nela. Nossos filhos continuarão a tarefa.
De certa forma, todos somos Moisés. Temos sonhos e assumimos serviços ao longo de toda a nossa vida. Frequentemente nós morremos antes que nossos projetos sejam totalmente realizados. Devemos depender de uma nova geração para continuar a obra inacabada.
Atingindo o fim do estudo da Torah relativo ao ano 5.769 do calendário judeu com a porção Vezot HaB’arachah – E esta é a Bênção… – que também fala da morte de Moisés:
Deuteronômio 34: 7-8 “Era Moisés da idade de cento e vinte anos quando morreu; os seus olhos nunca se escureceram, nem perdeu o seu vigor. E os filhos de Israel prantearam Moisés, nas campinas de Moabe; e os dias do pranto no luto de Moisés se cumpriram.”
Quando alguem chega ao fim da sua vida, é fácil dizer que a vida parece sem esperança e sem propósito, como afirmou Salomão.Trabalhamos em vão e morremos antes de ver os frutos de nosso trabalho. Morremos antes de atravessar o rio Jordão, sem poder entrar na Terra Prometida. Uma geração vai e outra geração vem, mas nada jamais muda. É tão fácil ceder ao sarcasmo e cair na depressão, perdendo o nosso bom gosto pela vida. Esta atitude pode ser vista frequentemente entre as pessoas que têm apenas percepção do mundo físico, a grande maioria, e mesmo na igreja, nas pessoas de pouca fé na palavra bíblica.
A dádiva da palavra Divina é ensinar ao mundo que existe outra maneira de olhar para a vida. A Vida não é um ciclo sem mudança e nem fim. Em vez disso, é uma corrente, e cada geração é um elo, contribuindo para a formação da corrente. Cada um de nós tem uma tarefa a cumprir; cada um de nós tem uma missão. Podemos não completar a missão, mas haverá sempre uma nova geração que continuará a partir do ponto onde nós paramos. Durante o passar das gerações, poderemos entrar na Terra Prometida, aperfeiçoar o mundo através de nossos descendentes. Somos parte de algo muito maior que nós mesmos!
Yom Kippur – O dia da expiação coletiva para a nação de Israel – representa profeticamente o dia em que os judeus terão um encontro com o Maschiach ( Messias). É um momento de prospecção interior no qual cada judeu procura captar a perspectiva de Deus do mundo. Do ponto de vista dEle, milhares de gerações passam num piscar de olho. É durante o passar das gerações que nós aperfeiçoamos o mundo, cada um de nós fazendo uma pequena tarefa.
A melhor maneira de entender isso é aplicar a metáfora de dois pedreiros que trabalhavam numa obra. Um pedestre que ia passando pergunta aos dois trabalhadores: ”O que voces estão fazendo?”
- O primeiro responde: “Eu estou assentando tijolos. Fila por fila, tijolo por tijolo. É um trabalho cansativo e enfadonho. Não vejo a hora do dia acabar e poder ir para casa.”
- O segundo responde: ”O que estou fazendo? Estou construindo uma grande catedral.”
Qual dos dois encontra mais sentido no seu trabalho cotidiano?
Enquanto estivermos de passagem por este mundo, devemos ver a nós mesmos como construtores de uma igreja – não física, mas espiritual, que deverá permanecer eternamente. Podemos não visualizar com nossos próprios olhos o fim da construção, exatamente como ocorreu com Moisés quando foi impedido de entrar na Terra Prometida. Mas, somos parte de um projeto maior que nós mesmos. Executamos nossa tarefa, e depois vem a nova geração e constrói sobre ela para dar continuidade à obra. Esta perspectiva fará de nossas vidas não “vaidade das vaidades” , mas uma jubilosa aventura para salvação de muitos e para a glória do Senhor!”
E renova-se a partir de agora a nossa tarefa, o estudo da Torá nunca acaba. Rebobina-se o rolo e retorna-se ao princípio …
B’re’shit ( Genesis), reiniciando tudo novamente. É um ciclo que nunca acaba para o judeu. O que significa isso?
Significa que a Torah, sempre termina deixando o povo d Israel na margem oposta, (leste) do rio Jordão. A entrada na Terra Prometida se dará sob a liderança de Josué, que representa o Maschiach, o único que pode justificar tanto o gentio como o judeu, diante do Eterno.
A referência da Palavra Bíblica na vida de uma pessoa é de fundamental importância, pois irá influir de modo positivo em nossos relacionamentos e com consequências extraordinárias na eternidade, que não podemos sequer imaginar. Ela funciona. É uma palavra que traz bênçãos automáticas para todo aquele que a guarda e a cumpre.
A palavra que sai da boca do homem e que não está embasada na palavra eterna não prospera e tudo que edifica,não permanece por muito tempo. Ela não funciona. Ela é fonte de maldições, influindo negativamente em nossos relacionamentos e com consequências trágicas e irreversíveis na eternidade”.
Senhor, que no novo ano de estudos da Torah que nos destes, nos permitas compreendermos a Tua boa, santa, perfeita e agradável vontade para as nossas vidas, que esta Palavra seja expressa no Kri ( A Torah impressa em nossos corações). Pedimos-Te, por Yeshua HaMaschiach. Amém.